Aprendizagem Cooperativa

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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A CRISE DA ESCOLA TRADICIONAL

Autora do texto: Jorgiana Ricardo Pereira

Pensar a crise da escola, como assim? A escola está em crise? O que caracteriza essa crise? Esses são alguns questionamentos sobre os quais pretendo fazer algumas reflexões nesse texto.
Tendo como referência minha experiência escolar penso que a escola foi durante muito tempo um espaço de certezas para nossa sociedade. A professora representava para mim o saber, ela tinha as respostas que eu não poderia ter acesso a não ser consultando-a sobre o assunto, além do fato de considerar que o ela dizia era a verdade absoluta, inquestionável, pois ela era à professora, a pessoa que representava o conhecimento.
Acredito que isso acontecia porque durante muito tempo a instituição escolar foi um ambiente privilegiado na propagação sistematizada do conhecimento construído pela humanidade. O que dava a escola tal característica era a dificuldade de acesso ao conhecimento por parte da maioria das pessoas, sobretudo, devido à outra dificuldade existente, a falta de instrumentos para difusão do conhecimento.
Será que no momento atual, século XXI, a escola ainda configura-se como um espaço de certezas? Penso que não, pois o desenvolvimento da ciência tem mostrado que nossas certezas são precárias e duram muito pouco tempo. Atualmente dispomos de formas de acesso ao conhecimento que nos possibilita questionar o saber anteriormente inquestionável da escola, representado pela professora.Vivemos em uma sociedade marcada pela incerteza, pelo passageiro, pela velocidade, peculiaridades que afetam profundamente todas as certezas que existiam anteriormente.
Aliado ao desenvolvimento das ciências temos o desenvolvimento tecnológico em curso, sobretudo da internet1, sendo este último o grande responsável pela difusão do conhecimento produzido pela humanidade e que enfraqueceu profundamente o poder da escola e dos professores como representantes universais do saber.
Assim, tanto a ciência como as novas tecnologias de informação e comunicação - TIC contribuíram para acabar com a fantasia da escola como lugar de certezas e verdades totais, bem como abriram espaço para a incerteza que caracteriza seus currículos e a prática pedagógica dos professores.
Nesse contexto, podemos nos questionar em que medida a escola atende as demandas sociais atuais. Por vezes assistimos nos jornais casos de jovens que praticam atos violentos nas instituições escolares, chegando a tirar a vida de crianças, adolescentes e professores. Vivemos então um momento de crise na escola?
Considero que vivemos um momento de crise social de valores que reflete nas instituições sociais tradicionais, como a família, a religião e a escola. Talvez a escola por ser um espaço de convivência coletiva de período relevante, onde crianças, jovens e adultos passam a maior parte do tempo de suas vidas, esteja tornando-se um lugar de práticas de violência tão presentes em nossa sociedade, onde a vida parece não ter mais valor.
Vale ressaltar, que a crise da escola pode estar relacionada, também, a falta de conexão entre suas práticas e as novas formas de comunicação e acesso ao conhecimento instituídas através da utilização dos modernos meios de comunicação (internet, redes sociais, computador, celular etc).
É importante destacar que a atividade humana caracteriza-se pela comunicação e interação entre seres humanos. Se é por meio da linguagem e da interação social que construímos nossa identidade, as novas formas de comunicação instituídas por meio da utilização da internet em salas de bate papo, em redes sociais, com o celular, etc, estão mudando a forma como crianças e jovens constituem sua sociabilidade e identidade.
Nesse contexto, nós, professores, ainda estamos muito distante de compreendermos os novos processos identitários de nossos alunos, pois não crescemos na era tecnológica, ela não configurou a construção de nossa identidade, muitas vezes nem nos interessamos pelos recursos que a tecnologia nos disponibiliza. Assim, a compreensão da paixão e do encantamento que nossos alunos nutrem por celulares cada vez mais sofisticados, por jogos eletrônicos, por amizades e amores virtuais é um exercício que temos que buscar e realizar.
O desafio que a era tecnológica impõe a nós professores é nos aproximarmos ao máximo dessas tecnologias, buscando conhecê-las, interagir com elas, manuseá-las, para assim podermos pensar em como usá-las a favor da aprendizagem dos alunos e da nossa prática pedagógica. Talvez assim possamos compreender o fascínio e o encantamento que marca a relação e interação de crianças e jovens da “geração web” com os recursos tecnológicos e as TIC, nos fascinarmos também, e assim construirmos novas formas de aprendizagem, caracterizadas, sobretudo, pela colaboração em rede de interações alargadas.

1 “ A internet é um meio de comunicação que permite, pela primeira vez, a comunicação de muitos para muitos em tempo escolhido e a uma escala global” (CASTELLS, 2001)


BIBLIOGRAFIA
CASTELLS, Manuel. A galáxia internet: reflexões sobre internet, negócios e sociedade. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkain, 2004.

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