Autora do texto: Jorgiana
Ricardo Pereira
Pensar a crise da
escola, como assim? A escola está em crise? O que caracteriza essa
crise? Esses são alguns questionamentos sobre os quais pretendo
fazer algumas reflexões nesse texto.
Tendo como
referência minha experiência escolar penso que a escola foi durante
muito tempo um espaço de certezas para nossa sociedade. A professora
representava para mim o saber, ela tinha as respostas que eu não
poderia ter acesso a não ser consultando-a sobre o assunto, além do
fato de considerar que o ela dizia era a verdade absoluta,
inquestionável, pois ela era à professora, a pessoa que
representava o conhecimento.
Acredito que isso
acontecia porque durante muito tempo a instituição escolar foi um
ambiente privilegiado na propagação sistematizada do conhecimento
construído pela humanidade. O que dava a escola tal característica
era a dificuldade de acesso ao conhecimento por parte da maioria das
pessoas, sobretudo, devido à outra dificuldade existente, a falta de
instrumentos para difusão do conhecimento.
Será que no momento
atual, século XXI, a escola ainda configura-se como um espaço de
certezas? Penso que não, pois o desenvolvimento da ciência tem
mostrado que nossas certezas são precárias e duram muito pouco
tempo. Atualmente dispomos de formas de acesso ao conhecimento que
nos possibilita questionar o saber anteriormente inquestionável da
escola, representado pela professora.Vivemos em uma sociedade marcada
pela incerteza, pelo passageiro, pela velocidade, peculiaridades que
afetam profundamente todas as certezas que existiam anteriormente.
Aliado ao
desenvolvimento das ciências temos o desenvolvimento tecnológico em
curso, sobretudo da internet1,
sendo este último o grande responsável pela difusão do
conhecimento produzido pela humanidade e que enfraqueceu
profundamente o poder da escola e dos professores como representantes
universais do saber.
Assim, tanto a
ciência como as novas tecnologias de informação e comunicação -
TIC contribuíram para acabar com a fantasia da escola como lugar de
certezas e verdades totais, bem como abriram espaço para a incerteza
que caracteriza seus currículos e a prática pedagógica dos
professores.
Nesse contexto,
podemos nos questionar em que medida a escola atende as demandas
sociais atuais. Por vezes assistimos nos jornais casos de jovens que
praticam atos violentos nas instituições escolares, chegando a
tirar a vida de crianças, adolescentes e professores. Vivemos então
um momento de crise na escola?
Considero que
vivemos um momento de crise social de valores que reflete nas
instituições sociais tradicionais, como a família, a religião e a
escola. Talvez a escola por ser um espaço de convivência coletiva
de período relevante, onde crianças, jovens e adultos passam a
maior parte do tempo de suas vidas, esteja tornando-se um lugar de
práticas de violência tão presentes em nossa sociedade, onde a
vida parece não ter mais valor.
Vale ressaltar, que
a crise da escola pode estar relacionada, também, a falta de conexão
entre suas práticas e as novas formas de comunicação e acesso ao
conhecimento instituídas através da utilização dos modernos meios
de comunicação (internet, redes sociais, computador, celular etc).
É importante
destacar que a atividade humana caracteriza-se pela comunicação e
interação entre seres humanos. Se é por meio da linguagem e da
interação social que construímos nossa identidade, as novas formas
de comunicação instituídas por meio da utilização da internet em
salas de bate papo, em redes sociais, com o celular, etc, estão
mudando a forma como crianças e jovens constituem sua sociabilidade
e identidade.
Nesse contexto, nós,
professores, ainda estamos muito distante de compreendermos os novos
processos identitários de nossos alunos, pois não crescemos na era
tecnológica, ela não configurou a construção de nossa identidade,
muitas vezes nem nos interessamos pelos recursos que a tecnologia nos
disponibiliza. Assim, a compreensão da paixão e do encantamento que
nossos alunos nutrem por celulares cada vez mais sofisticados, por
jogos eletrônicos, por amizades e amores virtuais é um exercício
que temos que buscar e realizar.
O desafio que a era
tecnológica impõe a nós professores é nos aproximarmos ao máximo
dessas tecnologias, buscando conhecê-las, interagir com elas,
manuseá-las, para assim podermos pensar em como usá-las a favor da
aprendizagem dos alunos e da nossa prática pedagógica. Talvez assim
possamos compreender o fascínio e o encantamento que marca a relação
e interação de crianças e jovens da “geração web” com os
recursos tecnológicos e as TIC, nos fascinarmos também, e assim
construirmos novas formas de aprendizagem, caracterizadas, sobretudo,
pela colaboração em rede de interações alargadas.
1 “
A internet é um meio de comunicação que permite, pela primeira
vez, a comunicação de muitos para muitos em tempo escolhido e a
uma escala global” (CASTELLS, 2001)
BIBLIOGRAFIA
CASTELLS, Manuel. A
galáxia internet: reflexões sobre internet, negócios e sociedade.
Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkain, 2004.
Se garantiu!!! hehehe
ResponderExcluirAdorei o texto